convite e/ou piada interna
e se nós tentássemos lembrar qual? o nome daquela peça e interrompêssemos o meio dum bom filme e fôssemos eu-fadinha-de-ressaca você-menino-de-boné destoar, juntos, nas primeiras gotas que tornam a cair e se corrêssemos e se chorássemos e se chovêssemos nós inundando o concreto e resolvêssemos desistir da realidade e adotássemos a estética fake dos musicais e gritássemos com uma solenidade um tanto leviana as mais célebres juras de amor, e se só depois dos meus olhos maquiado-escorridos como que de lágrimas quedadas do céu voltássemos descalços correspondendo às luzes da cidade e residentes e fizéssemos planos inseguros de atropelamentos teóricos e se quase bailássemos e se nos deitássemos e se tentássemos beber da água que restaria em seus poros em meus pêlos e decortinássemos o que havia sobrado de nossas roupas e eu fracionasse e esquecesse um pensamento sobre as musas pois você já estaria em perfeito encaixe e se seu peso fosse o único queu me achasse capaz de suportar e se eu te convidasse pra fazer residência deitado entre minhas pernas e se fôssemos e se voltássemos e se nos víssemos e nos cegássemos e se dividíssemos por fim um o lado do outro quando a única coisa a ser dita seria no encontro orvalhado dos cílios (fala comigo doce como a chuva)

